sexta-feira, 27 de maio de 2011

JUSTIÇA TARDIA I

Pimenta Neves
         No Brasil a justiça não é só cega, mas também manca, maneta e débil mental. Terça-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) finalmente decretou a prisão imediata do jornalista Antônio Marco Pimenta Neves, mais conhecido como Pimenta Neves, 74 anos. Há 11 anos ele matou com um tiro a queima roupa a também jornalista Sandra Gomide, na época sua namorada e subordinada no Jornal ‘O Estado’, de São Paulo, do qual Pimenta Neves era diretor de redação. Pelo crime, cometido de maneira sórdida e por motivos fúteis, o jornalista foi condenado em júri popular a 15 anos de prisão. Mas então porque não estava preso?

JUSTIÇA TARDIA II

         Pimenta Neves conseguiu ficar em liberdade, mesmo sendo condenado em júri popular, usando os inúmeros artifícios que o Código Penal Brasileiro e a própria legislação penal possibilitam a quem tem dinheiro para pagar um bom advogado. Os anos correram e o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), cujos ministros, por unanimidade, bateram o martelo e mandaram o assassino confesso para o xilindró. Até ontem, Pimenta Neves estava num centro de triagem de presos, mas deve ser transferido para uma penitenciária.

JUSTIÇA TARDIA III

         Mas a prisão do jornalista não deve ser motivo de alegria, mas sim de vergonha pelo País possuir uma legislação penal tão frouxa e ultrapassada. O próprio Ministério Público de São Paulo já adianta que Pimenta Neves deve ficar preso no máximo por um ano e três meses, pois terá direito a regalias pela idade que tem e as más condições de saúde. A própria ministra do STF, Ellen Gracie, declarou, após a decisão, que este fato foi uma mancha na justiça brasileira perante o mundo. Só uma coisa eu digo: se o cara matasse filha minha e a justiça não fizesse o seu trabalho, o mané ia comer capim pela raiz bem ligeirinho.

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