quinta-feira, 24 de novembro de 2011

OLHA O PRECONCEITO I

         Nos últimos 10 anos a população brasileira passou por transformações radicais no aspecto econômico. Quem era miserável passou a ser pobre, enquanto o pobre passou para a classe média baixa. Classe média alta, ricos e milionários continuaram em seus postos como grupos dominantes. Essa guinada dos pobres à condição de remediados é o que provocou as maiores transformações, porque essa grande massa acabou tendo acesso a bens e serviços que antes eram inacessíveis. O pior que isso vem incomodando muita gente. Para alguns, mesmo inconscientemente, ver um pobre comprando um carro novo incomoda.   

OLHA O PRECONCEITO II

Uma pesquisa feita pelo Instituto Data Popular revela dados interessantes que mostram o preconceito descarado contra os agora remediados. Segundo a pesquisa, para a velha classe média, pobre com mais dinheiro só aumenta filas. Para esta casta, o aumento do consumo da população emergente resultou na piora de alguns serviços. De acordo com os dados, 48,4% desses consumidores acham que houve uma piora na qualidade dos serviços depois que a população emergente, que forma a nova classe média, passou a frequentar novos lugares. Porém, o dado mais estarrecedor da pesquisa é que 55,3% dos consumidores consideram que as empresas deveriam oferecer produtos diferentes para ricos e para pobres. Segundo o estudo, 49,7% deles preferem frequentar ambientes com pessoas de mesmo nível social.

OLHA O PRECONCEITO III

         Mas o pior está por vir. No cúmulo da segregação e simpatia ao sistema
que existia na África do Sul, o Apartheid, que separava negros e brancos do mesmo ambiente, os dados do Data Popular mostram que para 16,5% dos integrantes da classe média tradicional, pessoas mal vestidas deveriam ser barradas em alguns estabelecimentos, 26,4% acham que a existência de estações de metrô aumenta a frequência de pessoas indesejáveis em determinadas regiões e para 17,1% todos os estabelecimentos deveriam ter elevadores separados. Quer dizer, para a maioria das pessoas com padrão de vida mais acima, dividir elevador com pobre é uma ofensa. O que eu queria mesmo era separar corruptos e demais safados dos honestos. Ia sobrar pouca gente do lado de cá.

LENDAS DA MÚSICA

         Nem bem esfriou a Expo São Miguel e na semana que vem temos a Festa do Pêssego em Descanso, mais uma promoção de peso na região para mexer com os ânimos. Se por aqui não fui em nenhum show, por lá quero ver se assisto Milionário e José Rico (Milio Rico e José Nário, como brinca o trocadilho). Apesar do caráter brega e zoneiro, são duas lendas da música, precursores desta onda de duplas sertanejas que toma conta do País, muitas das quais de baixa qualidade. Os caras já são quase bisavôs, mas continuam aí, firmes, como os reis da fossa e do chifre.

CANASTRÃO

         Tive o prazer de participar sexta-feira do Festival Municipal de Teatro, o Femute, depois de 25 anos sem subir em um palco. Confesso que tremi as perninhas. Acabei ganhando um troféu como melhor ator na categoria adulto, mas, na verdade, sou um tremendo canastrão, engano bem (Te cuida, Gianechini). Sobre o festival deu pra perceber houve pouca participação popular, apesar do grande esforço da Secretaria da Cultura em fazer um evento de qualidade. Outra constatação é que São Miguel do Oeste precisa urgentemente de um centro de eventos para atividades culturais, como o teatro. Parece que aquele velho projeto ficou mesmo só no papel. É uma vergonha numa cidade como a nossa a Secretaria de Cultura ter que ficar alugando auditórios para uma simples promoção.


SEÇÃO “MELA CUECA

Já morri em Nova York
Outro
tanto em Paris
Mas
agora que te conheci
Vou morrendo um pouco mais feliz

E por isso não me fale
No futuro, no amanhã
Paraíso é esse instante aqui
Em que comemos da mesma maçã

Já parti em tantos barcos
Já chorei em tanto cais
Quando digo que te amo assim
É porque te amo muito mais


DA SÉRIE “O QUE ME IRRITA”

         Tinham me falado e eu não acreditei, mas aconteceu comigo na semana passada. Estava eu tentando passar por uma rótula quando um motoqueiro me ultrapassou já dentro dela, quando eu ia dobrar à esquerda. Não é pra irritar qualquer cristão? Onde é que já se viu praticar uma temeridade dessas? Depois um jegue desses é atropelado, racha a cabeça e quem vai se incomodar é o motorista. Pô, meu!!! O que é que há? Ta com pressa? Vai tirar o pai da forca ou a mãe da zona?

DESABAFE VOCÊ TAMBÉM

         Você, leitor, que quer botar a boca no trombone e dizer também o que lhe irrita no seu dia a dia, mande sua sugestão para a Coluna, no meu hotmail. Você pode optar em ter ou não seu nome divulgado. Se ninguém mandar nada, vou acabar me irritando, hein?



PARA PENSAR NO BANHEIRO

“A diferença entre o casamento e a penitenciária é que na penitenciária você pode jogar futebol”.

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