Campanha encetada por segmentos da sociedade civil em favor da descriminalização da maconha é totalmente inoportuna, como é também o envolvimento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na empreitada, mesmo porque há coisas muito mais importantes a serem discutidas no Brasil. Não acho que a maconha seja uma droga muito mais perigosa que o álcool ou o próprio cigarro, mas a liberação pura e simples seria uma temeridade. Sou, sim, a favor da liberação para fins médicos ou terapêuticos, assim como a morfina é usada em doentes terminais para lhes amenizar a dor. É sabido que a maconha é um lenitivo para doentes de câncer ou Aids. Há exemplos nos Estados Unidos, onde em certos estados a erva é liberada sob receita médica.
MACONHA NA PAUTA II
Há no Brasil personalidades respeitáveis que fumaram maconha a vida toda, mas estão aí, na ativa. O deputado federal Fernando Gabeira, do Partido Verde, ou o cantor e ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, são exemplos. Tudo é questão de controle e dosagem. Se você fumar dois cigarros por dia provavelmente não lhe trará conseqüências futuras, mas tragar dois maços será um câncer na certa. Se você tomar duas latinhas de cerveja por dia ou duas taças de vinho é até saudável, mas se ingerir um litro de pinga diariamente é cirrose à vista. A mesma regra se aplica à carne gorda, aos carboidratos e até mesmo ao sexo. Resumindo, tudo o que é demais faz mal.

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